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tão perfeito...

Quinta-feira, 10.06.21

onda na areia.jpg

(retirada da net)

BOM DIA
 
tão perfeito este amanhecer,
límpido e sereno num azul celeste,
ausência de sentimento agreste,
luz interior que arde sem se ver .
 
como se uma onda nos tocasse
na areia fina, molhada,
e que nos segue na caminhada,
assim meu ser te abraçasse...

 

 

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 11:59

as casas têm paredes...

Quarta-feira, 09.06.21

parede e fotos.jpg

(imagem da net)

as casas têm paredes,
as divisões têm paredes...
nas paredes, fotografias emolduradas
e outras tantas pelos móveis espalhadas.

enclausurados, os mortos (e os vivos),
entre os vidros, presos por adesivos,
vão resistindo no tempo,
agoniados pelo bolor, mas livres do relento.

tomei uma decisão,
e para não haver dúvidas, escrevi à mão
que não quero caixilho, nem fotografia
no móvel ou na parede vazia...

a alma tem de voar, livre, sem prisão,
asas no vento, destino pré definido na palma da mão...






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publicado por Alexandrino Sousa às 16:11

é na manhã...

Terça-feira, 08.06.21

lençois.jpg

é na manhã que, abrindo a janela,
a vida sorri, o sol espreita
cada canto, a cama ainda desfeita
dos lençóis floridos de flanela...

quisera o sol descobrir, perceber
cada ruga no lençol amarrotado,
como se alguém amordaçado
evitasse gritar em momento de prazer.

o sol não sabe das loucuras na noite,
entre lençóis ainda lavados,
dos amantes sem dono que os acoite...

o sol não sabe, que o seu brilho inquieta
os amantes pelas ruelas acossados,
implorando pela noite na rua deserta.

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publicado por Alexandrino Sousa às 17:47

no silêncio...

Segunda-feira, 07.06.21

silêncio.jpg

  (imagem da net)

é no sorriso das palavras
soltas, inquietas, tão breves,

que nasce o silêncio
adormecido no tempo que não passa.

o silêncio que sabe interpretar
o olhar, os lábios entreabertos
que balbuciam indecifráveis palavras.

o silêncio que constrói castelos
de nuvens e de estrelas cintilantes,
e que se deita a cada amanhecer...


 

 

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 19:04

botão de flor...

Quarta-feira, 16.12.20

 

japoneira.jpeg


tristes, braços caídos,
as japoneiras parecem sofrer
em silêncio, lágrimas em flor
que nos comove os sentidos.

a chuva as rega, dá-lhes vida
mas no botão de flor, a dor, a ferida
por não crescer... a chuva é assim,
uns dias para viver, outros prenuncio do fim...

se eu pudesse, se ágil fosse minha mão,
no amanhecer, ao nascer do dia,
as flores moribundas cortaria,
e dando vida, desenharia um coração...







 

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publicado por Alexandrino Sousa às 10:46

introspecção...

Terça-feira, 15.12.20

introspecçao.jfif


o final de tarde carrega todo um tempo

já passado, vivido ou perdido,
passos contidos na brisa do vento,
um olhar, um abraço sem sentido.

toca o telemóvel...talvez alguém
precise de ouvir uma voz, a minha voz,
um conselho, um riso sem desdém,
talvez um sentido para o mundo de nós.

tão difícil este mundo, este ar que respiro,
(mas de que me posso queixar afinal?)
se tudo parece estar ao contrário (suspiro...),
e ajoelho-me...talvez tenha feito muito mal...



 

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publicado por Alexandrino Sousa às 18:31

Olhar animal...

Terça-feira, 15.12.20

cuca.JPG


olha-me olhos nos olhos,

como se assim penetrasse
no mais íntimo de meus pensamentos...

olhar meigo, perspicaz, de cão matreiro,
que verá ele que as pessoas não vêm?

os cães devem ter dons
que os humanos pagariam para ter.

enrosca-se, cola-se a mim,
como se assim se sentisse seguro, 
um porto seguro,
com cama e mesa,
e quem sabe, mesada,
ah, e que não falte a sobremesa...


 

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publicado por Alexandrino Sousa às 08:39

que brilhe o sol...

Segunda-feira, 14.12.20

Botão-de-Rosa.jpg

abro as janelas para o jardim
buscando o perfume da rosa,
a elegância do jasmim,
nesta manhã tão chuvosa.

no meu intimo é primavera, minto,
querendo baralhar as estações,
e assim, até pressinto
que sorrindo, escondo emoções...

que importa a rosa, qualquer flor,
que importa a chuva de outono,
se num instante, em todo o esplendor,
um raio de sol, um presente sem dono...


 

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publicado por Alexandrino Sousa às 11:05

apenas um sopro ...

Terça-feira, 08.12.20
 

vida.jfif

solta-se o sol,
a luz, ainda que a medo
na manhã húmida e fria...
é um sopro de vida,
um piscar de olhos,
que rejuvenesce,
que nos faz seguir em frente...
ainda que breve,
é o mais belo presente...

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publicado por Alexandrino Sousa às 11:44

segredos

Sábado, 05.12.20

segredos.jfif

o silêncio paira no ar, indelével!
das casas, o fumo pelas chaminés
dizem-nos segredos aos ouvidos,
talvez momentos íntimos, atrevidos,
de quem ainda ousa sonhar.

shiu...não façam barulho!
quem ousaria importunar
os felizes, os audazes,
os anjos do amor, da ousadia,
da saudade por quem já o foi, um dia...

fecho as portas do meu templo,
elevo-me no altar da paz
e fingindo adormecer, contemplo
o interior de mim, tanto por escrever,
e nas veias, ondas de vida a correr...









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publicado por Alexandrino Sousa às 19:14