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António Gedeão - LÁGRIMA DE PRETA

Sábado, 16.01.10

 

LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de Sódio.

 

 (tão perfeito e tão simples...daí a sua beleza...)


 

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 11:20


3 comentários

De mafalda-momentos a 16.01.2010 às 21:18

É verdade que sim Alex... perfeito e simples.

Num mundo em que cada vez mais se fala em abolir as diferenças, tem todo o significado.

No entanto esse mundo parece ainda estar longe.
Esperança que se torne cada vez mais e mais rápidamente igual.
Um beijinho
Mafalda

De Alexandrino Sousa a 16.01.2010 às 22:06


Olá Mafalda,

Sim, as diferenças que não existem, tão bem retratadas aqui por Gedeão.Gosto muito deste poema

Beijinhos
ALex

De Diana V. a 17.01.2010 às 04:32

Não existem no essencial...
No resto existem ... a beleza está na diferença
O Mundo seria tão aborrecido se só houvessem rosas vermelhas ...
Não é Alex...

Gostei pela diferença ...

Kiss

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