Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Florbela Espanca_Sonetos 2

Terça-feira, 20.01.09

 

E como ontem prometi, hoje transcrevo outros dois sonetos de Florbela Espanca que me fazem "parar" no tempo:

 

 Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui...além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar! Amar! E não amar ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder...pra me encontrar...

 

Pobre de Cristo

Ó minha terra na planície rasa,

Branca de sol e cal e de luar,

Minha terra que nunca viste o mar,

Onde tenho o meu pão e a minha casa.

 

Minha terra de tardes sem uma asa,

Sem um bater de folhas...a dormitar...

Meu anel de rubis a flamejar,

Minha terra moirisca a arder em brasa!

 

Minha terra onde meu irmão nasceu

Aonde a mãe que eu tive e que morreu

Foi moça e loira, amou e foi amada!

 

Truz...Truz...Truz...-Eu não tenho onde me acoite,

Sou um pobre de longe, é quase noite,

Terra, quero dormir, dá-me pousada!...

                                  

                                             Florbela Espanca

                  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Alexandrino Sousa às 21:36