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sol de outono

Terça-feira, 07.11.23

sol de outono.jpg

tarde de outono, do tempo incerto,
do sol que de forma fugidia
te beija o corpo, atravessa a alma,
embala-te num eterno momento de fantasia.

fantasia de sonhos e quimeras,
de fugazes momentos quão difíceis de apanhar
tão rápido é o tempo, o filme que passa
nuns breves segundos que nem sentes o respirar...

de olhos cerrados, a pele pedindo mais calor,
absorves-te de tudo, dos medos, da dor
que o teu mundo cria e leva até ti, sem nada pedires.

esqueçam que eu existo... nada quero ouvir, sentir,
o meu mundo é este, eu, o sol, e as folhas a bulir
pela brisa de teu ser, quando meus lábios nos teus sentires...

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 15:55

mãos cheias de nada...

Segunda-feira, 06.11.23

maos vazias.jpg

tenho todo o tempo do mundo,
uma mão cheia de nada,
e outra mão numa escrita sem nexo,
sem vigor, sem alma, defraudada...

é hora de partir, barco sem remo, sem vela,
amparado pelo sorriso aberto, franco,
que me guia até ao mar imenso
onde teu rosto é luz envolto em manto.

que não se apague esta miragem,
este sonho vivido, alma sem bagagem,
sem porto de abrigo, algo intenso,

sem dor, apenas resquícios de outrora,
como quem se fere ao colher a amora
num silvado inventado, imaculado, denso...



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publicado por Alexandrino Sousa às 18:42

outros olhares...

Domingo, 05.11.23

olhares.jpg

do nada nascem,
ou renascem
memórias,
histórias,
encontros,
desencontros,
olhares inquietos,
lábios despertos
para palavras de ocasião,
ali...na palma da mão...

e nesse moreno com graça,
perfilha-se a saudade
do tempo que passa,
mas tão ingrata a verdade...



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publicado por Alexandrino Sousa às 21:36

sobre as palavras...

Terça-feira, 21.03.23

poesia.jpg

tenho em mim todas as palavras
que fariam um poema,
que falaria de emoções,
de amor ou de paixões,
se tal valesse a pena.

tenho em mim todas as palavras,
um rio bravo por domar
correndo em desafio,
verso a verso, aceso o pavio,
até onde alguém decifrar.

sufocadas pelo silêncio no tempo,
desnudadas na alma, em solidão,
em cada palavra o sofrimento
que o verso não traduz, nem dá razão...




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publicado por Alexandrino Sousa às 20:02

uma letra para ti...

Sábado, 18.03.23

abraço.jpg

na paragem do autocarro,
as horas que passam, acendo o cigarro
com teu rosto na saudade,
enquanto o autocarro tarda pela cidade...

amor, eu desespero pelo teu desespero,
mas tu sabes, quando demoras eu espero,
e a vida é assim, um grande corrupio,
uns dias na paz, outros a toque de assobio.

sento-me nos bancos de trás,
a música que toca é o bem que me faz,
amor, espera, curva após curva estou a chegar,
e teus doces lábios, um presente, um doce beijar...

amor, eu desespero pelo teu desespero,
mas tu sabes, quando demoras eu espero,
e a vida é assim, um grande corrupio,
uns dias na paz, outros a toque de assobio.

finalmente teu abraço,
um beijo, um amasso,
amor, era grande a saudade,
agora, no silêncio, os corpos fervilham na leviandade.

amor, eu desespero pelo teu desespero,
mas tu sabes, quando demoras eu espero,
e a vida é assim, um grande corrupio,
uns dias na paz, outros a toque de assobio.




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publicado por Alexandrino Sousa às 22:15

fazer de conta...

Sábado, 11.02.23

desanimo.jpg


é inútil ficar, permeável 
a este ar que me incendeia
nesta terra agreste, indomável,
rios onde as águas secam,
e os mares são castelos de areia 
intransponíveis...

nos mais secretos sonhos, 
o teu rosto projectado 
na lua
reflecte-se no meu leito,
só a imagem de ti
e o rumor de teu afago 
em meu peito...

é inútil ficar, fazer de conta,
quando no íntimo de mim desponta 
a vida, escalada sem jeito...




 

 

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 20:37

o limite da razão...

Quinta-feira, 09.02.23

questionar.jpg

as imagens ferem como lâminas,
sem sangue, sem vestígios,
apenas ferem... ferem
e destroem o limite da compreensão humana...

porquê? qual a razão?
questiono-me, e as respostas são vazio, são em vão...

as percepções até aqui intocáveis, assumidas,
desmoronam-se, tal como aves que tombam feridas!





 

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publicado por Alexandrino Sousa às 10:43

"leveza das palavras"

Quinta-feira, 09.02.23

leveza.jpg

soltam-se as palavras,
como folhas secas
desprendidas das árvores,
ou arrancadas pelo vento...

leves e sem conteúdo,
ou pesadas, curvadas pelo tempo,
as palavras têm os segredos
que os lábios interpretam
na troca de olhares.

soltam-se as palavras
ao sabor da brisa,
no perfume exalado
numa conversa no tempo prometida.

e necessárias, as palavras adormecem,
serenas, num sono profundo,
como se não houvera amanhã...



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publicado por Alexandrino Sousa às 10:17

leveza do toque...

Quarta-feira, 08.02.23

brisa.jpg

é cedo, lenta a madrugada,
rumo ao mar, a ondulação,
a brisa na crista da onda...
e no meu rosto...

sigo em frente,
com perfeita noção,
que todo o coração sente
alguma nostalgia, com este horizonte...

passo apressado,
o pensamento para lá do infinito!
ah se estivesse sozinho,
se minha liberdade fosse um grito,
ansiando um navio ou uma cápsula do tempo...

ou um abraço... apenas um abraço,
uma brisa suave,
um toque, um passatempo...

e continuo no meu mundo, passo a passo...

 

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publicado por Alexandrino Sousa às 18:32

amanhecer...

Quarta-feira, 25.01.23

segurando o sol.jpg

quero acreditar que nascerá amanhã,
a luz mais brilhante
do raiar do dia...

que seja luminosa e limpa,
que trespasse a alma,
que derrube muros,
todos os segredos...

quero acreditar que o amanhã
será límpido, sem medos,
lágrimas de fogo como a flor da romã...

quero acreditar que elevando as mãos,
vou prender, só para mim,
toda a luz do mundo, límpida, luminosa,
até que chegue o fim...






 

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publicado por Alexandrino Sousa às 18:17